quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Hopkins: tradução

como muitos brasileiros, descobri o poeta inglês Gerard Manley Hopkins via o excelente trabalho do poeta-mito Augusto de Campos.

querendo conversar com Hopkins e Campos um pouco mais proximamente, me propus traduzir um dos poemas da coletânea.

ACORDO,
de Gerard Manley Hopkins

Acordo, me corta a noite escura, não o dia,
Que horas, Oh que negras horas nós não vimos
Esta noite! que visões, coração; e caminhos!
E veremos, na longa espera da luz tardia.

Tal falo com testemunha. Mas quando digo
Horas, digo anos, vida. E minha desdita
São gritos incontáveis, cartas remetidas
Pra tão longe, ah!, ao ser que me é querido.

Sou fel, sou cor-combustão. Foi Deus que escolheu
Amargo o meu sabor: e meu sabor fui eu;
Ossos alçou, saturou meu sangue em castigo.

A levedura da alma amarga a massa ao leu.
Sou como os perdidos, seu castigo é o meu
Ser só um sudorento ser; mas é pior comigo.


Um comentário:

Caio Milani disse...

Linda tradução ! ..."Why? That my chaff might fly; my grain lie, sheer and clear."...